Era uma fria madrugada de sexta-feira quando me esgueirei ao banheiro para aliviar a bexiga antes de dormir. Sim eu durmo tarde mesmo, mas é porque tenho insônia e minhas horas mais ativas, assim também como minhas melhores idéias, acontecem numa madrugada.
Enquanto me aliviava contemplando uns dos prazeres masculinos, o de mijar de pé, um raio negro passou pelo meu campo periférico. Rapidamente me virei e quase me mijei ao ver um rato dentro do meu banheiro. Cristo! Eu quase gritei, não por medo claro, mas sim pelo susto, ninguém espera encontrar um roedor em seu banheiro, uma perereca translúcida, uma barata sim, mas um rato?
Como ainda estava no meio do “número um” recobrei a calma e continuei olhando para o último ponto de onde o vira. Um pouco de tempo passou e lá estava infeliz de novo, não devia ter mais que uns 4 centímetros, orelhas pequenas e coladas no corpo, dois grandes olhos negros e uma cauda quase do seu tamanho. Um camudonguzinho, coisinha de nada... Tentava freneticamente achar um lugar pra passar pela fresta da minha porta, mas as frestas da porta do meu banheiro são muito pequenas e suas tentativas sempre falhavam. Se eu me mexesse um centímetro o esperto corria para de baixo da pia e se escondia em uns bancos de plástico que guardo lá, na verdade nem sei o porquê, mas não é difícil de imaginar uma vez que meu quarto já foi um depósito.
O susto passou e um sentimento estranho me passou pela cabeça: queria proteger o ratinho. O tadinho tentava continuamente achar uma saída do meu banheiro, mas sempre barrava na porta, tentou subir pelos sucos de metal que forma ela e sempre caia. De vez em quando dava uns pulinhos como se sua ínfima estatura pudesse alcançar a janela que estava a 2 m do chão, mas que para ele estava há quilômetros de distância.
O ratinho não iria sair, e eu não podia ficar com ele. Já tenho a Aurora, meu pastor belga de 1,60m de puro amor canino, e a bolinha minha poodle. O ratinho tinha que sair... Mas não fazia idéia de como ele havia entrado. A janela fechada, a porta também, só que ele estava ali e ali não podia ficar. Não dava pra abrir a porta ele ficaria dentro de casa e seria um fuzuê danado se minha mãe acordasse... Foi aí que bolei um plano.
Peguei a lixeira do banheiro retirei a tampa, por sorte nada havia no plástico dentro dela, sim, por que pobre é uma desgraça!... Rouba as sacolinhas do supermercado pra colocar nas lixeiras de casa, e ainda tem a pataca de colocar duas sacolas uma dentro da outra dando a desculpa fajuta: Ai que é prás sacolas num rasgá! Eu tenho horror a pobre! Como sempre repete um chegado meu...
Bem voltando ao rato, lá estava eu com a lixeira na mão, parecendo o Tom esperando o Jarry sair do buraco na parede, o silêncio dava para ser ouvido(?). Ele tentou mais uma vez eu ataquei, não o capturei mas prendi seu rabinho, esse se contorcia e chorava baixinho com aquela vozinha de rato... Aquilo me deu uma pena, mas não me desviou do meu propósito, servi-me de uns bons metros de papel higiênico, sim porque por mais fofo que fosse ainda era um rato, e peguei a pequenina criatura. Seu coração batia freneticamente, ele emanava um calor bem suave, mas que passava o papel. Tentava se soltar a minha mão firme, mas eu não cedia, estava tenso e se pressionasse um pouco mais ele morreria... Levei ele para fora minha Aurora veio me receber... Nesse momento pensei em dar ele como petisco mas algo dentro de mim me impediu... Algo que me fez refletir e vir escrever esse artigo as 03:01 da madrugada de sexta-feira.
Eu poderia muito bem dar fim a vida daquele animal assim que o vi no banheiro. Ou quando o capturei, tive sim muitas chances mas não o fiz.
Por quê?
Porque não sou digno de julgar quem ou o que deve viver ou morrer, nem um ser humano é, mas mesmo assim pessoas e mais pessoas morrem todos os dias porque algum ser humano julgou que poderia tirar aquela vida. Pessoas, hoje em dia, perdem a vida como se fossem ratos, em guerras, na fome, na violência... E ainda nos consideramos inteligentes.
Aquele rato era um ser vivo igual a mim, e daí se ele era uma praga? Deus o fez assim como fez a mim... E eu não sou Deus para tirar a vida de ninguém nem de nada. Quem diria que numa madrugada aleatória eu entendesse o valor de uma vida...
Quanto ao ratinho?
Não se preocupe, joguei-o em um matagal do outro lado do muro da minha casa.

Obrigado!

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